Classificação

Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

Artilharia

Postado por : Edmar Assis 28/11/2017


Estamos na temporada 2017/2018, mas é hora de relembrar um especial que fizemos há exatamente três anos: porque os clubes rebaixados da Premier League, que teoricamente chegam com times melhores e com mais dinheiro em caixa, tem tanta dificuldade nas suas voltas à Championship? Naquela época falamos muito dos problemas que Wigan (hoje na League One), Fulham e Cardiff tinham - e tem até hoje - pra se adaptar ao campeonato. Hoje Middlesbrough (um pouco melhor na tabela), Hull e principalmente Sunderland sofrem dentro ou perto da zona de rebaixamento, longe da briga pelo acesso. Quais os motivos de tamanho sofrimento? elenco fraco? planejamento errado? diretoria perdida? ou todos?

Não é de hoje, nem de alguns anos atrás, que os times que chegam à Championship rebaixados da Premier League sofrem mais do que o esperado na segunda divisão inglesa. E os motivos para isso são vários, que variam de time pra time. Nesta temporada, o maior exemplo deste sofrimento é o Sunderland. Após 10 anos de altos e baixos na Premier League, e nas últimas temporadas sempre se salvando por pouco, os Black Cats finalmente foram rebaixados. Com uma campanha tenebrosa e numa bagunça daquelas internamente, era esperado que o time sofresse um pouco na Championship. Mas com certeza não da forma que está acontecendo.


2 vitórias, 8 empates, 9 derrotas. 14 pontos somados. 25 gols marcados e 35 (!) sofridos em 19 jogos e o 22º lugar na tabela, dentro da zona de rebaixamento. Esses são os números da campanha do Sunderland na Championship 17/18. O número que mais incomoda, porém, são os VINTE JOGO SEGUIDOS sem vencer em casa, desde Dezembro de 2016, um recorde absoluto no futebol inglês, que deixa a torcida bastante envergonhada e temerosa com um novo rebaixamento pra terceira divisão. Motivos pra tamanho vexame não faltam: O time mudou muito desde a queda da Premier League, e perdeu peças chave como o goleiro Pickford e o atacante Defoe, e os novos contratados ainda não disseram a que vieram, com exceção do centroavante Lewis Grabban, que é de longe o melhor jogador dos Black Cats na temporada. O técnico Simon Grayson foi contratado sob muita desconfiança, e não durou nem um turno. Agora o abacaxi está nas mãos de Chris Coleman, que fez um grande trabalho na seleção do País de Gales, e tem condições de pelo menos evitar outro rebaixamento.

Outro time pouco falado mas que vem fazendo um papelão é o Hull City. Os Tigers vinham sendo o "Iô-Iô" da vez, alternando acessos e quedas, mas dessa vez o time deve passar bem longe da briga lá em cima. E o problema do Hull é claro e óbvio: a guerra da torcida contra os donos egípcios, a família Allam, que controla o clube há um bom tempo. Grupos de torcedores dos Tigers vivem em pé de guerra com o dono majoritário, Assem Allam, por causa das várias excentricidades do mesmo, inclusive no jogo contra o Nottingham Forest atirando muita bolas de golfe no gramado do KC Stadium. A principal delas foi tentar mudar o nome do clube para Hull Tigers, o que causou a fúria dos fãs.


Com poucos investimentos pra tentar se manter na última Premier League, ao não conseguir manter o promissor técnico Marco Silva e ao perder vários jogadores importantes na pré-temporada, o Hull entrou em parafuso. Leonid Slutsky, ex-treinador da seleção russa, chegou com boas credenciais, mas em nenhum momento conseguiu fazer com que o time jogasse minimamente bem, mesmo com as contratações interessantes que o time fez. Com pouco apoio dos donos, que estão mais preocupados em peitar os torcedores, o russo vive na corda bamba, e o Hull no momento está na 20ª posição, apenas 4 pontos acima do próprio Sunderland, que abre a zona de rebaixamento. Nos últimos dias, os donos egípcios sinalizaram uma "trégua" com os grupos de torcedores, e se ela não acontecer logo, o futuro do Hull continuará tenebroso.


Ainda falando dos últimos rebaixados da Premier League, o Middlesbrough parece mesmo ser o mais preparado para disputar um campeonato tão duro como a Championship. O Boro subiu com ótimas expectativas, e com boas chances de sucesso na elite. Mas a insistência no técnico Aitor Karanka, que nunca conseguiu fazer o time ser bom ofensivamente, minaram qualquer chance do Boro ficar na elite. Para essa temporada, Garry Monk, que vinha de um bom trabalho no Leeds, foi contratado com o único objetivo de levar o time de volta à Premier League. Mas não está nada fácil. O time é o 7º colocado com 29 pontos, já ONZE atrás do Cardiff, vice-líder. Números fracos pro time que mais gastou dinheiro na janela de transferências, trazendo nomes de peso como os atacantes Britt Assombalonga e Martin Braithwaite (que vem correspondendo), o meia Johnny Howson e outros. Mas como num campeonato grande como a Championship o elenco faz diferença, o Boro deve sim brigar até o fim pelos playoffs, no mínimo.


E não é de hoje que os times rebaixados sofrem. Na última temporada, dos três rebaixados da temporada 16/17, apenas o Newcastle voltou à elite. Mesmo sofrendo mais do que deveriam, os Magpies conseguiram o acesso e o título na última rodada. O Aston Villa passou vergonha e só foi melhorar um pouco no final - melhora que, felizmente pros fãs, é vista até hoje com o time brigando firme por playoffs. E o Norwich terminou em 8º, bem longe de qualquer possibilidade de acesso.

Outros exemplos são claros. Birmingham, Bolton, Cardiff, Fulham, QPR, todos estiveram na Premier League nos últimos 7 anos, e nunca mais conseguiram engrenar após o rebaixamento. Uma menor quantidade de dinheiro, o trauma de uma temporada ruim na elite, todos são motivos para esse sufoco. Vale lembrar que, diferente do que acontece no Brasil e em outros países, a segunda divisão inglesa é um campeonato muito duro e disputado. Qualquer clube que chegue achando que seu status vai o levar de volta está enganado.

Sunderland, Hull City, Middlesbrough e os outros já citados precisam aceitar sua situação, e jogar no estilo Championship. Ou seja, pra ganhar pontos, não interessa como. O tempo de vacas gordas passou.


Home ---------------------- Política de Privacidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Championship Brasil 2018. Todos os direitos reservados ------- Designed by Edmar Assis