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Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

Artilharia

Postado por : Edmar Assis 26/08/2018


15 de Junho. Nesse dia, o tradicional Leeds United, de muita história e de grande torcida, saía da mesmice recente e anunciava Marcelo Bielsa como seu novo treinador. Campeão olímpico e da Copa América com a seleção da Argentina e de um trabalho memorável no Athletic Bilbao, Bielsa chegou ao Elland Road em baixa na carreira após um trabalho fraco e extremamente conturbado no Lille, mas com muita excitação por parte da torcida. 2 meses e 11 dias depois, o Leeds é o líder da Championship com 13 pontos conquistados de 15 possíveis, invicto, com o melhor ataque (14 gols feitos) e segunda melhor defesa junto com Swansea e Blackburn (4 gols sofridos), e de longe com o melhor futebol apresentado. O que explica tamanho sucesso recente? E até onde o Leeds pode sonhar num campeonato tão longo e duro?

Nos últimos tempos, os grandes investimentos para reforçar um elenco específico tem sido a receita de sucesso na Championship, como foi o caso do atual campeão Wolves, que investiu pesado e conseguiu, jogando um ótimo futebol, o título pra lá de merecido. Não é exatamente o caso do Leeds - o clube investiu sim, mas não fez nenhuma loucura no mercado e nem de longe foi o que mais gastou. Bielsa ao chegar atacou no mercado nas posições certas, trazendo Barry Douglas, que fez grande campeonato passado pelo Wolves, Lewis Baker e Jamaal Blackman do Chelsea para dar mais profundidade ao elenco, o jovem Jack Harrison como uma aposta vindo do Man City, e a grande contratação foi a do atacante Patrick Bamford vindo do Boro.


A grande mudança no Leeds não foi nas peças, e sim na maneira de pensar, entender e apresentar o futebol no relvado. Na estreia, num jogo duro contra o recém-rebaixado Stoke, o onze inicial foi muito parecido com o que terminou a temporada passada, já que apenas Barry Douglas e Mateusz Klich (voltando de empréstimo) eram as caras novas. O que foi visto de diferente logo de cara foi o posicionamento em campo: Gaetano Berardi, que é polivalente mas tem preferência pela lateral-direita, foi deslocado pra zaga ao lado de Cooper (que deve perder lugar pra Pontus Jansson, que volta de lesão); Kalvin Phillips, que costumava jogar com companhia ao seu lado no meio defensivo, foi recuado um pouco pra frente da área, deixando os 4 meias a sua frente: Pablo Hernandez, Samu Saiz, Mateusz Klich e Ezgjan Alioski. Os 4 com a missão de alimentar Kemar Roofe na frente.

Marcelo Bielsa sempre prezou pelo futebol bem jogado, e é isso que o Leeds vem apresentando. O time quase nunca dá o chutão, tenta sempre sair com a bola no pé, e os 4 meias dão o apoio necessário para que isso aconteça. É sempre bom lembrar que Bielsa é um dos precursores desse tipo de jogo de posse de bola, troca de passes e movimentação intensa, algo que hoje vemos muito em times treinados por Maurizio Sarri e Pep Guardiola, e muito do sucesso na carreira do treinador argentino se explica por isso. O Leeds nunca teve times ruins (como está sendo provado agora), mas faltava alguém que tirasse o melhor de cada jogador.


Vejamos o caso de Samu Saiz. O meia chegou ao Leeds vindo do pequeno Huesca da Espanha na janela de verão de 2017 com boas expectativas após fazer uma grande segunda divisão espanhola. Embora tenha feito alguns bons jogos, Saiz nunca teve muita regularidade em seu futebol, muito por causa das intensas trocas de técnicos, e pouco foi decisivo. Com Bielsa, Saiz vem sendo um terror pras defesas adversárias, aliando seu bom passe a uma agressividade impressionante em busca do gol, e é um dos melhores jogadores da temporada (senão o melhor). Seus companheiros de meio campo são casos parecidos: Pablo Hernandez recuperou o bom futebol que havia apresentado anteriormente no Swansea, Alioski faz uma excelente dupla pela esquerda com Barry Douglas, e Klich ajuda demais Samu Saiz a manter a posse de bola. 4 meias, 4 jogadores que prezam pelo bom jogo e que explicam o bom momento dos Whites.


Outro caso interessantíssimo é o do centroavante Kemar Roofe. O jogador de 25 anos nunca teve grande impacto no Leeds, e quando Patrick Bamford foi contratado por quase 8 milhões de libras, todos pensavam que ele seria o titular e Roofe será seu reserva. Só esqueceram de avisar o rapaz. A chegada de Bielsa deu um novo ânimo e revolucionou seu futebol - sendo bem assistido por 4 ótimos meias, Roofe marcou 4 gols nas primeiras 4 partidas, e Bielsa não exitou em deixar sua maior contratação no banco. O estilo de jogo é arriscado? Sempre será. Mas é o futebol moderno sendo apresentado a todos na Championship. Nenhum outro time pratica esse estilo e, a partir do momento que isso encaixa, o Leeds acaba levando uma ENORME vantagem em relação a qualquer rival, e de forma muito competente, como mostrou contra adversários com bom elenco (Stoke), com um time bem armado (Swansea), com um time promissor e forte em casa (Derby) e contra uma retranca (Rotherham).

Mas é sempre bom fazer a ressalva: foram apenas 5 rodadas completas. De QUARENTA E SEIS rodadas. A Championship é o campeonato mais pesado e desgastante da Europa pra qualquer elenco, e Bielsa vai ter que ser competente também na hora de rodar o time, poupar na hora certa e equilibrar boas atuações com vitórias convincentes com jogos onde uma vitória por 1-0 é goleada. A próxima rodada será perfeita pra entender até onde o Leeds pode ir na temporada: o time fará o grande jogo da temporada até agora contra o vice-líder e excelente time do Middlesbrough, que promete ser um encontro interessantíssimo de duas maneiras diferentes de pensar futebol: Bielsa com seu jogo bem jogado, Tony Pulis com defesa forte e ligação direta. Uma vitória categórica, se acontecer, vai mostrar a todos que o Bielsa Ball veio pra ficar.

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