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Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

Artilharia

Postado por : Edmar Assis 25/03/2019

*** Artigo baseado no excelente especial da BBC Sport


Na última sexta-feira, o mundo da Championship acordou em choque: os principais meios de comunicaçao afirmavam que o Birmingham City, um dos mais tradicionais clubes presentes no campeonato, iria perder NOVE pontos na tabela, por violar as regras de Rentabilidade e Sustentabilidade da EFL, regras essas definidas no início da temporada 2016-2017, baseadas no fair-play financeiro já conhecido. Um caso sem precedentes, que deixou muitos outros times de cabelos em pé. Questões financeiras e times começando com 'B' parecem andar de mãos dadas: Bolton Wanderers e Blackburn Rovers - dois gigantes históricos do futebol inglês, membros fundadores da Football League e com 10 taças da FA Cup entre eles - também estão no caos. O primeiro enfrentou uma ordem de liquidação e o outro registrou prejuízos recordes apenas alguns anos depois de ambos terem perdido seus lugares na Premier League. Em sete tabelas, o especialista em finanças do futebol, Kieran Maguire, avaliou como os três clubes chegaram a esse ponto - e as lições que outros clubes podem aprender com eles.

Blackburn Rovers

"Recordes do clube foram quebrados, pontes foram construídas e memórias foram feitas", anunciou o comunicado de abertura das contas do Blackburn Rovers na semana passada. O clube, afinal, ganhou a promoção da League One em 2017-18. Mas um recorde de que o clube pode não se orgulhar é de perder 17,5 milhões de libras nesse ano financeiro - um recorde para a League One. Embora alguns clubes ainda não tenham anunciado seus resultados e outros optem por não divulgar números detalhados de lucros, as perdas dos Rovers são maiores do que os outros seis clubes que os relataram até agora. 

Quando a família indiana Venky comprou o Blackburn em novembro de 2010, o clube estava em 14º na Premier League e tinha uma renda anual de mais de £57 milhões. Desde então, o clube foi rebaixado duas vezes, enquanto a receita caiu abaixo de 9 milhões de libras, terminando a última temporada como vice-campeões da League One, atrás do Wigan Athletic. De acordo com os Venky's, os Rovers tiveram perdas operacionais de £153 milhões em oito anos, perdas suportadas em pequena medida pelas vendas de jogadores, mas principalmente pelos próprios proprietários, que emprestaram ao clube £109 milhões livres de juros até 30 de junho de 2018.

Prejuízos dos clubes da League One em 2017-18

As razões para essas perdas são simples. 

Desde que os Venky's adquiriram o Blackburn, o clube gerou uma receita de £237 milhões, e teve custos com a contratação de jogadores de £ 305 milhões, o que significou que os outros custos operacionais e uma proporção considerável dos custos dos jogadores foram financiados pelos proprietários. Os indianos têm sido impopulares com uma parte da base de fãs, com a hashtag #VenkysOut aparecendo regularmente nas redes sociais, quando o clube foi rebaixado em 2011-12, e só conseguindo terminar na metade superior da Championship duas vezes em cinco temporadas depois disso - apesar dos pagamentos de paraquedas da Premier League , projetados para suavizar o golpe financeiro de cair do topo, por três dessas temporadas - antes de finalmente serem rebaixados para a 3ª divisão em 2016-17.

Bolton Wanderers

O Bolton está atualmente em 23º na Championship - nove pontos atrás do primeiro clube fora da zona de rebaixamento

A alguns quilômetros de distância do Blackburn, os torcedores do Bolton Wanderers estão se perguntando se terão ou não uma equipe para torcer, já que o clube enfrentou uma ordem de liquidação do HMRC (Her Majesty's Revenue and Customs) em relação a impostos não pagos na quarta-feira. As finanças dos Wanderers, em certa medida, espelharam as dos Rovers, com um proprietário benevolente na forma de Eddie Davies, que adquiriu o clube em dezembro de 2003. O Bolton terminou em oitavo na Premier League em 2003-04, e manteve seu status na primeira divisão até 2011-12 - mas isso teve um custo financeiro significativo.


Enquanto o Bolton estava lucrando, o recrutamento de jogadores como o astro nigeriano Jay-Jay Okocha, os conhecidos (e caros) franceses Youri Djorkaeff e Nicolas Anelka, e Fernando Hierro, da Espanha e do Real Madrid, ocasionou um aumento de salários, e os custos operacionais dispararam rapidamente. Logo o clube estava pagando mais em custos de jogadores do que eles estavam gerando como receita. Quando os Trotters terminaram em oitavo, sexto, sétimo e sexto lugares a partir de 2004 e se classificaram duas vezes para a Copa da Uefa, Davies decidiu cobrir as perdas feitas pelo clube porque, como um fã rico, ele queria ajudar.

Mesmo na Premier League, o clube estava hemorragando dinheiro, e perdeu quase 100 milhões de libras em suas últimas seis temporadas na primeira divisão. As perdas continuaram na Championship, apesar do benefício dos pagamentos de paraquedas, mas uma combinação de problemas de saúde e muitas críticas dentro da base de torcedores resultou na decisão de Eddie Davies de cortar os laços com o clube e deixar de financiar as perdas, com o HMRC ameaçando que o clube fosse liquidado por impostos não pagos. Para tornar o clube atraente para novos proprietários, Davies anulou 170 milhões de libras dos empréstimos que havia adiantado ao longo dos anos ao cobrir as perdas. Além disso, alguns ativos imobiliários foram vendidos para gerar dinheiro para manter os credores à distância.

Percentual dos custos dos jogadores em relação as receitas

Com o clube perto da administração, Davies o vendeu ao ex-jogador Dean Holdsworth e ao empresário Ken Anderson em fevereiro de 2016. Holdsworth rompeu seu relacionamento com o clube, deixando-o nas mãos de Anderson, ex-agente de futebol que foi banido de uma empresa no Reino Unido (onde era diretor) por oito anos em 2005, mas passou no teste EFL Owners and Directors quando sua desqualificação terminou. Davies morreu em setembro de 2018 e quatro dias antes de falecer emprestou ao clube mais 5 milhões de libras.

Depois disso, o caos aumentou: houve muitos pedidos de liquidação e histórias de funcionários e fornecedores não remunerados, culminando com outra tentativa na semana passada do HMRC de ter o clube liquidado por impostos não pagos. O clube tem duas semanas para tentar sobreviver, com Anderson tentando encontrar novos proprietários que precisarão estar preparados para financiar os custos diários de um clube despedaçado.

Birmingham City

Em relação ao Birmingham, que está na Championship desde 2011, seus números financeiros mudaram drasticamente nos últimos dois anos. Após um período de austeridade relativa, o Birmingham começou a recrutar jogadores com taxas substanciais, juntamente com empréstimos. O  alto nível de gastos sancionados pelos proprietários, que começaram em 2016-17, que parecia ser melhor descrito como aleatório e perdulário, significou que o clube recebeu um embargo de transferência "suave" pela EFL no verão de 2018.

Perdas relatas e gastos com jogadores, em milhões de libras

A subseqüente contratação do defensor dinamarquês Kristian Pedersen, que foi registrado pela EFL, apesar de o clube não poder, em tese, contratar jogadores por uma taxa, agravou ainda mais o primeiro crime.

£1 milhão ou £100 milhões? A escolha a ser feita pelos clubes da Championship

Todos os três clubes citados estão nesta temporada competindo em uma divisão onde o prejuízo é vista como "norma", já que a terra prometida das riquezas da Premier League está no horizonte. Os 17 clubes que relataram suas finanças até agora têm perdas operacionais coletivas de £366 milhões, e com Fulham, Sunderland, Sheffield Wednesday, Brentford, Derby e Bolton ainda para anunciar seus resultados, a Championship pode estar reportando um prejuízo operacional total superior a MEIO BILHÃO de libras

A razão pela qual os clubes se complicam tanto é a falta de controle dos custos dos jogadores em termos de salários e taxas de transferência.

Perdas relatadas dos clubes da Championship, em milhões

Quem quer que assuma a responsabilidade de dirigir um clube de futebol profissional, terá que estar preparado para pagar enormes somas, todos os meses, para manter o clube à tona, em uma tentativa ou de manter um clube na League One, onde os clubes ganham em direitos de transmissão cerca de 1 milhão de libras, ou de conseguir uma promoção para a Premier League, onde podem ganhar um mínimo de 100 milhões de libras.

Mas, como vimos em Birmingham, levar o barco longe demais pode ter consequências.

A punição de dedução de nove pontos do Birmingham estabelecerá um precedente que será aproveitado por ambos os apoiadores e críticos das regras. Os líderes de torcida alegam que isso funcionará como um elemento de dissuasão e encorajará uma melhor nitidez dos gastos de seus clubes.

Percentual dos custos dos jogadores em relação as receitas dos clubes da Championship

Alternativamente, os teóricos da conspiração vão alegar que o Birmingham dificilmente garantiria uma vaga nos playoffs antes da decisão, ou será rebaixado depois dela e, realisticamente, nada mudou como resultado da punição, então o clube não está pior do que antes.

O que é importante saber: vem mais punições por aí. 

Kieran Maguire é professor de análise financeira de futebol na Universidade de Liverpool, onde leciona no curso MBA da Football Industries.


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