Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

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Postado por : Edmar Assis 14/10/2014


Estamos na temporada 2014/2015, mas é hora de relembrar um especial que fizemos há exatamente dois anos: porque os clubes rebaixados da Premier League, que teoricamente chegam com times melhores e com mais dinheiro em caixa, tem tanta dificuldade nas suas voltas à Championship? Naquela época falamos muito dos problemas que Wolves, Blackburn e Bolton tinham (o último tem até hoje) pra se adaptar ao campeonato. Hoje, Wigan, Fulham, Cardiff e Reading sofrem dentro ou perto da zona de rebaixamento, longe da briga pelo acesso. Quais os motivos de tamanho sofrimento? elenco fraco? planejamento errado? diretoria perdida? ou todos?

Não é de hoje, nem de alguns anos atrás, que os times que chegam à Championship rebaixados da Premier League sofrem mais do que o esperado na segunda divisão inglesa. E os motivos para isso são vários, que variam de time pra time. Nesta temporada, o maior exemplo deste sofrimento é o Fulham. Após 13 anos de sucesso na Premier League, inclusive com um ótimo vice-campeonato da Liga Europa em 2009/2010, o time foi rebaixado quando poucos esperavam. Mas mudanças no comando técnico, saindo do fraco Martin Jol pro mais fraco e polêmico Felix Magath, fizeram os Cottagers serem rebaixados com merecimento.


Pra essa volta à Championship, o elenco foi totalmente reformulado, e ficou mais fraco, porém ainda com peças muito interessantes, como Parker, Rodallega, Amorebieta e Bryan Ruiz, além de novas apostas como Ross McCormack, Hoogland, Betinelli e outros. Felix Magath foi demitido com muito atraso, Kit Symons assumiu, ainda interinamente, e fez o time melhorar e pelo menos vencer, mas ainda está na zona de rebaixamento O Fulham ainda tem um bom elenco para o nível da Championship, e um novo técnico, com novos conceitos, pode dar ao time a tranquilidade necessária para vencer seus jogos e, pelo menos, tentar brigar pelos play-offs.

Outro caso interessante é o Cardiff, mas com esse o caso é mais "fácil de entender". Já na temporada de acesso na Championship os Bluebirds sofreram com as extravagâncias do seu dono Vincent Tan, e a estada na Premier League foi marcada pela conturbadíssima troca de técnico, na demissão de Malky Mackay, criticado publicamente por Tan e "convidado a pedir demissão" por e-mail. Ole Gunnar Solskjaer chegou pra tentar salvar o time, mais já era tarde. O treinador ídolo do Man.United começou a temporada na Championship com o clube, fez contratações interessantes como Kenwyne Jones, Adam Le Fondre e Sean Morrison. Mas...


O início foi até bom, mas o time começou a cair pelas tabelas, e principalmente pela falta de padrão tático, sem repetir o time, sem fazer os bons nomes do elenco jogarem bem e, claro, pela problemática direção do clube, em eterna pé de guerra com a torcida, Solskjaer foi demitido. Russell Slade chegou agora ao clube, vindo do Leyton Orient, e vai ter que conduzir o time da 15ª posição pra brigar pelo acesso, que é o mínimo que se espera de um dos melhores elencos da competição.

Ainda falando dos últimos rebaixados da Premier League, o Norwich parece, neste momento, ser o mais preparado para disputar um campeonato tão duro como a Championship. Os Canaries foram rebaixados quando ninguém esperava após duas boas temporadas na elite, mas a insistência no técnico Chris Hughton, com um trabalho fraco substituindo Paul Lambert, aliado a tabela cruel onde pegou todos os times do top-6 no final da temporada, rebaixou o clube. Mas o Norwich começou bem a Championship com Neil Adams, e as boas contratações de Grabban e Jerome deram outra força ao ataque, mesmo com a venda de Snodgrass ao Hull. O time vem de alguns tropeços (normais), mas deve sim brigar pra voltar à elite.


E não é de hoje que os times rebaixados sofrem. Na última temporada, dos três rebaixados da temporada 12/13, apenas o QPR voltou à elite. Mesmo sofrendo mais do que deveriam, os Hoops conseguiram o acesso via play-offs, derrotando outro recém rebaixado, o Wigan, nas semi-finais, e batendo o Derby na final em Wembley. O Wigan é um caso difícil de entender. O time foi rebaixado na Premier League, mas conseguiu fazer boa campanha na última temporada e só caiu nos play-offs pro QPR. Todos esperavam e colocavam os Lactics como grandes favoritos ao acesso junto com o Derby, mas o time faz um início de temporada horroroso e difícil de entender, estando apenas na 21ª posição, primeiro time fora da zona de rebaixamento, com 10 pontos. A direção faz questão de falar que o técnico Uwe Rosler não corre riscos, mas os resultados ruins deixam a torcida de orelha em pé.


Outros exemplos são claros. Birmingham, Bolton, Blackpool, além de Fulham e Wigan, exatamente os 5 últimos colocados neste momento na Championship, TODOS estiveram na Premier League nos últimos 4 anos, e nunca mais conseguiram engrenar após o rebaixamento. Uma menor quantidade de dinheiro, o trauma de uma temporada ruim na elite, todos são motivos para esse sufoco. Vale lembrar que, diferente do que acontece no Brasil e em outros países, a segunda divisão inglesa é um campeonato muito duro e disputado. Qualquer clube que chegue achando que seu status vai o levar de volta está enganado.

Nas últimas temporadas, apenas um clube caiu e subiu no ano seguinte com tranquilidade. O Newcastle aceitou sua situação de crise, contou com o apoio da torcida e fez com que a força da camisa valesse na hora de disputar a Championship. Com uma campanha sem sustos, os Magpies retornaram ao seu lugar de origem. Antes considerado um "iô-iô", o West Brom também se manteve na Premier League após cair junto com o Newcastle.

Fulham, Wigan, Cardiff e os outros já citados precisam aceitar sua situação, e jogar no estilo Championship. Ou seja, pra ganhar pontos, não interessa como. O tempo de vacas gordas passou.

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