Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

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Postado por : Edmar Assis 07/05/2019


Continuando nosso especial sobre os times promovidos para a Premier League, é hora de falar do vice-campeão da Championship, Sheffield United. Os Blades foram um dos times mais legais de se ver jogar na temporada, com um futebol empolgante, competitivo e com várias ideias modernas e interessantes implantadas pelo excelente técnico Chris Wilder, que agora vai tentar alcançar um novo nível na elite do futebol inglês. Agora, o momento é de planejar. Planejar e muito, para garantir que a estadia na Premier League seja satisfatória e não traumática. Vamos analisar as qualidades, as necessidades do elenco e a "sorte" que é sempre necessária.

Chris Wilder, o homem por trás do sucesso

Torcedor do Sheffield United quando criança, Chris Wilder vai treinar o clube na sua primeira temporada na Premier League em 12 anos. O antigo treinador do Alfreton e Halifax foi subindo na pirâmide das ligas do futebol inglês, ganhando a promoção da Conference (5ª divisão), League Two, League One e agora a Championship. Depois de levar o pequeno Northampton ao título da League two em 2015-16, Wilder deixou a equipe para assumir o Sheffield United.


Com o atacante Billy Sharp como capitão, ele levou o time até a Championship conquistando o título da League One com incríveis 100 pontos. Sharp, que marcou 30 gols no campeonato na temporada passada, marcou mais 23 para ajudar a garantir a promoção para a Premier League nesta temporada. "Se você tivesse me dito quando eu assinei com o clube na primeira liga que seríamos promovidos para a Premier League, eu não teria acreditado em você.", disse Sharp. "Minha primeira temporada não correu bem, mas desde que o treinador chegou, ele tem sido fenomenal - de longe o melhor técnico que esse clube já teve. Eu não acho que nenhum fã vá discordar de mim."

Os conceitos modernos

Poucos times da Championship tiveram sucesso com uma formação de 3 zagueiros. O case de mais sucesso, claro, foi o do Wolves de Nuno Espírito Santo na temporada passada, com seu 3-4-3. Chris Wilder manteve as características de seu trabalho com o United, implantando um modelo 3-4-1-2, que começou sendo questionado pela torcida e pela imprensa, mas que culminou num time marcador de gols e também extremamente forte na zaga, terminando com a melhor defesa da Championship. O trabalho dos zagueiros, ajudando a iniciar as jogadas de ataque quando necessário, foi uma das impressionantes marcas da campanha dos Blades, como o vídeo abaixo (em inglês) mostra.


Após a última temporada, onde o United terminou em 10º lugar, Chris Wilder usou a janela de transferências para dentro do Reino Unido, trazer jogadores que ajudaram a montar a espinha dorsal do time vice-campeão: David McGoldrick (atacante), John Egan (zagueiro), Dean Henderson (goleiro) e Oliver Norwood (meia) preencheram as lacunas existentes do elenco, e se juntaram aos já presentes Jack O'Connell, Chris Basham, John Fleck, Enda Stevens e Billy Sharp. E o importante não são apenas as chegadas dos jogadores, mas quanto custaram. Leon Clarke chegou a Sheffield no último verão por apenas 150 mil libras e marcou 19 gols em sua primeira temporada pelo clube.

Oliver Norwood chegou emprestado pelo Fulham antes de completar uma transferência permanente de £ 2 milhões, enquanto Dean Henderson foi um muro no gol, conseguindo impressionantes 20 clean sheets. O goleiro emprestado pelo Manchester United já expressou sua vontade de estar no clube na próxima temporada. Compare isso com os rivais de Yorkshire, Leeds, que perderam a promoção automática novamente, e gastaram 7 milhões de libras somente com Patrick Bamford. O XI inicial dos Blades custou menos do que apenas uma das contratações do Leeds. A capacidade de Wilder de reconhecer quando um sistema ou estilo de jogo não está funcionando e alterá-lo também foi essencial para garantir a promoção.

Os Blades perderam seus dois primeiros jogos da temporada para Swansea e Middlesbrough, e em seu terceiro jogo da temporada, houve uma mudança tática. O clube implantou os três zagueiros novamente, com os laterais sendo autorizados a se sobrepor quando o time foi para a frente. Isso criou a mistura perfeita de atacar e defender, e Wilder ficou com esse sistema de sucesso pelo resto da campanha. O impacto do sucesso do United não será sentido apenas pelos torcedores do clube, já que o rival, Sheffield Wednesday, agora fará de tudo pra conquistar o acesso também.


Billy Sharp, "O herói gordinho"

Billy Sharp, nascido e criado em Sheffield, já um herói em sua cidade natal, entrou na para  ahistória dos Blades ao capitanear seu clube de infância para a Premier League. Até mesmo seu nome parece um personagem fictício de Roy of the Rovers, o que é perfeitamente adequado, já que sua história poderia ter sido tirada diretamente da revista em quadrinhos. É uma história de rejeição e perseverança, tragédia e longevidade e, finalmente, glória. O atacante duas vezes partiu de seu amado time no início de sua carreira em busca de gols, mas depois retornou para uma terceira chance e provou ser seu talismã.

Sharp, de 33 anos, tornou-se o maior artilheiro da Football League neste século, ao marcar seu gol de número 220 contra o Wigan em janeiro. Desde então, ele marcou mais sete e está acima de Rickie Lambert, Wayne Rooney, Jamie Cureton e Jermain Defoe na lista dos cinco primeiros, e agora é um jogador da Premier League novamente, desta vez com o clube que ele sempre amou. Seu próximo alvo é 250 - um grande feito para o "rapaz gordo de Sheffield".


Quando a Sharp deixou os Blades pela primeira vez em 2005, ele marcou nove gols em 16 jogos emprestado ao Rushden & Diamonds, antes de marcar 53 na League One durante duas temporadas pelo Scunthorpe, que ganhou a promoção para a Championship sob o comando de Nigel Adkins. Os Blades pagaram 2 milhões de libras em 2007 para levá-lo de volta, mas seus gols desapareceram por causa do peso da expectativa de um retorno imediato à Premier League, devido ao rebaixamento da temporada anterior.

Após oito gols em duas temporadas no Bramall Lane, Sharp foi colocado na lista de transferências. Ele se juntou a Doncaster, inicialmente por empréstimo, e começou a marcar regularmente novamente. Ele fez 40 gols em 82 aparições pelos Rovers e um deles continua sendo o mais lembrado: Em 2011, o filho de Sharp, Luey, morreu com dois dias de vida devido a um defeito congênito que causa uma ruptura da parede abdominal. Menos de 72 horas depois, Sharp marcou para o Doncaster em uma derrota em casa para o Middlesbrough na comemoração levantou a camisa com uma mensagem que dizia: "Isso é para você, filho".


Na temporada anterior, e em circunstâncias mais felizes, Sharp havia comemorado um gol para o Doncaster contra o Sheffield United, exibindo as palavras "Fat Lad from Sheffield" na parte de trás de sua camisa. Seus gols em Doncaster valeram a ele uma mudança para o Southampton, onde ele foi promovido para a Premier League. Mas a Sharp fez apenas duas aparições substitutas para os Saints na primeira divisão - por um total de 18 minutos - antes de empréstimos para Nottingham Forest, Reading e Doncaster, que marcaram um período instável de sua carreira.

Ele foi marcado com o apelido 'journeyman', e uma mudança permanente para Leeds no verão de 2014 não se mostrou mais frutífera. Depois de uma temporada e apenas cinco gols pelo Leeds, Sharp voltou para Bramall Lane novamente e desta vez, mais velho e mais sábio, se sentiu em casa, marcando 21 gols na primeira temporada. Após Chris Wilder ter sido nomeado como responsável pelo clube da sua cidade natal em maio de 2016, a vida ficou ainda melhor para a Sharp. Wilder o nomeou como capitão do time, e o atacante respondeu com 30 gols na temporada de retorno à Championship


Os Blades estão de volta ao topo depois de um exílio de 12 anos e dois números forjados em Sheffield serão reverenciados por ajudá-los a chegar lá. Foi um longo caminho para Sharp, um verdadeiro herói local, que está vivendo um sonho de infância que Roy of the Rovers teria se orgulhado.

As necessidades

Embora tenha uma boa espinha dorsal, o Sheffield United precisa gastar direito para reforçar o time, que está um pouco menos pronta que a do Norwich. Na opinião desse editor, serão necessários:

Goleiro: O ideal seria que o United contratasse Dean Henderson em definitivo junto ao Manchester United, aproveitando-se da limpa que os Red Devils devem fazer no elenco, pois o bom goleiro já está habituado ao esquema de jogo. Se não, os Blades deverão ir ao mercado.
Meias: Essa é posição mais importante para o United reforçar. Oliver Norwood e John Fleck fizeram uma excelente temporada, mas o primeiro já mostrou que o nível da Premier League pode ser demasiado, e o segundo pode sentir a diferença. O fundamental mesmo é contratar um bom meia ofensivo para abastecer o ataque, algo que faltou em alguns momentos e pode ser crítico para se ter sucesso na elite.
Atacante: David McGoldrick e Billy Sharp finalmente terão sua chance na Premier League. Mas o time precisa de sangue novo no ataque, de preferência jogadores jovens e rápidos, com pulmão para poderem proporcionar um revezamento.

Escalação do Sheffield United, temporada 2018-2019

A sorte

Sim, boa parte do sucesso de um time recém-promovido passa pela sorte, começando pela tabela da Premier League - jogos contra os times mais fortes podem ser diluídos durante toda a temporada, ou serem realizados todos juntos no final (a Premier League ama fazer isso), ou seja, se o time precisa de pontos no final do campeonato e a segunda opção é a válida, adeus. Lesões, suspensões, casos de força maior (Emiliano Sala com o Cardiff, por exemplo), todos são fatores que podem ser decisivos para o sucesso ou o fracasso. 

Se o assunto é sorte... boa sorte, Sheffield United!

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