Por Edmar Assis e Danilo Moraes. Tecnologia do Blogger.

Classificação

Artilharia

Postado por : Jorge Lima 15/08/2020

Nos últimos anos, a Championship tem se destacado pelos seus artilheiros. Glenn Murray e seus 30 gols em 2012/13 ainda não não foram superados de 2004 pra cá. Teemu Pukki chegou perto na temporada retrasada com os seus 29 gols. Aleksandar Mitrovic e Ollie Watkins dividiram o posto na temporada que se encerrou com os seus 26 gols. Mas onde eles se encaixam em comparação a alguns dos grandes artilheiros de toda a história da segunda divisão?




O maioral ainda é George Camsell. Ele é o maior artilheiro da história do Middlesbrough, com 345 gols em 453 jogos. Ele é considerado um dos melhores jogadores ingleses do século 20. Está na história pelos impressionantes 59 gols em 37 jogos na segunda divisão de 26/27. Só não balançou as redes em apenas 8 jogos.  Mas esse não é o seu único recorde. Nessa mesma temporada ele marcou 9 hat-tricks, ainda um recorde na história da Football League. Outro ponto impressionante: Camsell conseguiu uma sequência de 29 gols marcados em 12 jogos consecutivos! Pela seleção inglesa, Camsell não jogou muito, mas deixou sua marca. Foram apenas 9 jogos, mas marcou 18 gols, tendo a melhor média de gols por jogo entre todos os jogadores com mais de duas convocações. Camsell faleceu em março de 1966, aos 63 anos.


Derek Dooley, foi um artilheiro nato que infelizmente teve uma carreira curta. Ele chegou ao Sheffield Wednesday em 1947 e se tornou uma máquina de fazer gols nos times de base dos Owls. Assim como o time, Dooley não teve um bom início na temporada 51/52. Mas o time engrenou e o atacante conseguiu 46 gols, com uma sequência de 22 gols em 9 jogos. Seus gols ajudaram os Owls a conquistarem o título da segundona e voltarem à Primeira divisão. Na temporada seguinte, acabou fraturando a perna. durante a recuperação, uma infecção na perna evoluiu para uma Gangrena, o que acarretou em uma amputação. Ele ainda viria a ser técnico do Wednesday pra anos mais tarde, se tornar presidente do maior rival. ídolo dos dois clubes, até hoje é conhecido como "Mr Sheffield". Dooley faleceu em marco de 2008, aos 78 anos.


Arthur Rowley é o segundo maior artilheiro da história do Leicester. Ele foi mais uma máquina de gols do futebol inglês. Apelidado de "The Gunner" por causa do seu poderoso chute com o pé esquerdo, Rowley quebrou recordes temporada após temporada. Ele é um dos maiores artilheiros da história do futebol inglês, com 434 gols em 619 jogos. Foi o goleador máximo da segunda divisão em 52/53, quando marcou 39 gols. Nessa temporada, quebrou o seu próprio recorde da temporada anterior, onde marcou 38 vezes. Mas a sua grande temporada foi a 56/57. com os Foxes novamente na segundona, Rowley marcou 44 gols em 42 jogos. Com 265 gols em 321 jogos, Ele é o segundo maior artilheiro da história dos Foxes, 8 gols atrás de Arthur Chandler.

Em 1958, Rowley foi para o Shrewsbury, onde se tornou jogador-treinador na recém-criada quarta divisão. Nas 5 temporadas no clube, manteve uma excelente média de gols e é considerado um dos melhores jogadores da história do clube.Após se aposentar, Rowley ainda se aventurou como técnico, porém, não conseguiu o mesmo destaque como jogador, com passagens pouco expressivas pelo próprio Shrewsbury, Sheffield United, e Southend. Rowley faleceu em dezembro de 2002, aos 76 anos.


John Hickton não marcou tantos gols quanto o trio de cima, mas entrou pra história como o único a ser artilheiro da segunda divisão por três vezes. Quarto maior artilheiro da história do Boro, "Big John" iniciou seu período em Teeside lá atrás. Mais especificamente como zagueiro. Sua chegada aconteceu em um momento ruim, com o Boro sendo recém rebaixado para a terceira divisão. Apesar de jogar na defesa, Hickton sempre demonstrou um talento ofensivo. Talento que foi bem observado pelo técnico Stan Anderson, que o transformou em atacante. e a decisão não poderia ter sido mais acertada, já que Hickton foi o principal goleador do time nas seis temporadas seguintes. Os 24 gols nas temporadas 67/68 e 69/70 e os 25 gols em 70/71, garantiram a Big John a artilharia da segundona nessas temporadas. Em 1978, Hickton se despediu do Boro e foi tentar a sorte no Fort Lauderdale. Porem, uma fratura na perna acabou encerrando sua curta passagem pelos Estados Unidos e consequentemente, a sua carreira.



A Escócia exportou grandes jogadores para o futebol inglês. E esse é o caso de Tommy Johnston. Centroavante clássico, com grande imposição física e forte no jogo aéreo, Johnston teve boas passagens por Norwich e Newport County após o início de sua carreira profissional no Kilmarnock. Mas foi no Leyton Orient que ele se tornou um herói. Após ajudar o time a subir da terceira divisão, teve a sua grande temporada em 57/58. Os 35 gols ainda dão a ele o recorde de mais gols marcados pelo clube em uma única temporada. 

Tal desempenho fez com que outros clubes mostrassem interesse nele. E em março, acabou negociado com o Blackburn. Com 8 gols marcados, Johnston ajudou o Blackburn a subir à primeira divisão e terminou a temporada como artilheiro com 43 gols. Onze meses depois, Johnston estaria de volta ao Orient, onde teve um papel fundamental pra evitar o rebaixamento do time para a terceira divisão. Dois anos depois, Johnston deixaria o Orient novamente. O escocês se tornou o maior artilheiro da história do clube com 123 gols. Como já era esperado, foi eleito em 99 o melhor jogador da história do Orient. E um dos setores do Brisbane Road, foi rebatizado com o seu nome.

Johnston encerrou a carreira em 1964, com 290 gols em 464 jogos. Em 1972, se mudou para a Austrália com a sua família, onde viveu até 2008, quando faleceu. Como homenagem definitiva, suas cinzas foram enterradas no Brisbane Road


Outro não-inglês a fazer grande sucesso na segundona, embora por um curto período, foi o galês Josh Charles. Com 1,95 de altura, Charles ganhou o apelido de "Gigante Gentil", pois em 25 anos de carreira, nunca foi expulso ou recebeu cartão. Charles começou a carreira no Swansea Town (hoje Swansea City). Em 1948, foi contratado pelo Leeds com apenas 17 anos. Sua estréia como profissional veio um ano depois. jogando como zagueiro, causou uma ótima primeira impressão. 

Apesar da altura, Charles passava longe de ser um "trombador". Ele mostrou muita habilidade jogando em uma variedade de posições. Além da zaga, Charles também teve bom desempenho jogando no meio campo. Mas foi no ataque que ele começou a impressionar o mundo. Em 1952, passou a jogar na posição em definitivo. E logo de cara, já mostrou do que era capaz. Foram 11 gols em 6 jogos. Mas foi em 53/54 a sua grande temporada nos Whites. Logo de cara, fez 4 gols na estréia e mais 3 no segundo jogo. Charles terminou como artilheiro da segundona com 42 gols em 39 jogos, Um recorde até hoje na história do clube. Na campanha do acesso em 1955/56, Foram 29 gols. Na temporada seguinte, Charles se tornou o jogador do clube com mais gols na primeira divisão. Com 39 gols, foi o artilheiro da temporada.

Atraindo interesse de times de fora, Charles acabou sendo negociado com a Juventus. Lá, voltou a fazer história. Foram 3 títulos italianos e 2 copas da Itália nos 5 anos que jogou por lá, além da artilharia. Não à toa, ele foi eleito em 1997 o melhor jogador estrangeiro da história do clube, superando nomes como Michel Platini e Zinedine Zidane. Após um retorno mal sucedido ao Leeds e uma passagem curta pela Roma, Charles ainda jogou por Cardiff, Hereford e Merthyr Tydfil, onde se aposentou em 1974. Charles faleceu em 2004, um mês após ter sofrido um ataque cardíaco


Muita gente conhece Brian Clough como o grande técnico que levou o Nottingham Forest ao bicampeonato europeu, entre outros títulos. Mas pouca gente sabe que antes de ser um técnico de sucesso, Clough foi um grande atacante. Apesar de uma carreira curta, gols é o que não faltaram na sua trajetória.

Nascido em Middlesbrough, foi justamente no clube da cidade que ele começou a sua carreira, fazendo a sua estréia em 1955. Sua primeira temporada não foi de muitas chances, Graças ao estilo pragmático do técnico Bob Dennison, que raramente mexia no time titular. com isso, Clough marcou apenas 3 gols em 9 jogos. Sua pouca utilização o fez pedir para ser negociado. Atitude que foi muito frequente em sua carreira como jogador. 

Na temporada seguinte, Clough se tornou titular e se tornou uma verdadeira máquina de fazer gols. Nessa temporada foram 44 gols em 40 jogos. Foi o primeiro jogador do Boro a superar a marca de 40 gols em uma temporada desde George Camsell. Nas temporadas seguintes, seu faro de gol continuou apurado. 40 gols em 40 jogos em 57/58; 43 gols em 42 jogos em 58/59 (artilheiro da segunda divisão); 39 gols em 41 jogos em 59/60 (novamente artilheiro da segundona) e 34 gols em 40 jogos em 60/61.

Apesar de todos de Clough, o Boro nunca esteve perto de chegar à Primeira divisão, outro motivo para os seus constantes pedidos de transferência. Ele também atritos constantes com os companheiros de time. Princialmente os defensores. Se o ataque resolvia, o mesmo não podia se dizer da defesa. O Boro sofria muitos gols, o que fez Clough acusar os defensores de estarem apostando contra o time e facilitando os gols sofridos. 

Em 1961, após vários pedidos de transferência, Clough finalmente foi atendido. Ele acabou sendo negociado com o Sunderland. Ele manteve o instinto artilheiro, marcando 34 gols em 43 jogos. Foi o jogador a marcar mais gols pelo clube em uma temporada até 97/98, quando Kevin Phillips marcou 35 gols. em 62/63, foram mais 28 gols em 28 jogos. Poderiam ter sido mais gols, porém, Clough sofreu a lesão que mudaria sua carreira pra sempre. Em dezembro de 62, em jogo conra o Bury, Clough se chocou contra o goleiro Chris Harker e acabou rompendo todos os ligamentos do joelho. Com uma lesão grave e com a medicina da época, Clough só voltaria aos campos dois anos depois. Mas a sua volta durou apenas 3 jogos e um gol marcado. Em novembro de 64, Clough anunciou sua aposentadoria aos 29 anos. 

Como técnico, Clough teve um inicio pouco inspirado no Hartlepool, ele chegou ao Derby, onde venceu a segunda divisão em 68/69 com uma sequência de 22 jogos sem perder. Em 71/72, levou os Rams ao primeiro título inglês de sua história. Após passagens fracassadas por Brighton e Leeds, Clough chegou ao Forest e fez história com 12 títulos, incluindo o bi-europeu, o campeonato inglês e a copa da liga inglesa. Em 92/93, após 18 temporadas, Clough deixou o Forest e se aposentou pouco tempo depois. Em setembro de 2004, Clough faleceu aos 69 anos devido a um câncer no estomago.


Alguns que vêem o Liverpool hoje quase campeão da Premier League e um dos melhores times do planeta, não desconfia que os Reds já estiveram fora da primeira divisão. E um dos responsáveis por reerguer o clube foi Roger Hunt. Após rodar por alguns clubes menores, Hunt chegou ao clube em Julho de 1958. Mas sua estréia no time principal só ocorreria em 1959, aos 21 anos, marcando um dos gols da vitória sobre o Scunthorpe.

Com a chegada de Bill Shankly, veio uma verdadeira revolução no time. 24 jogadores foram dispensados, mas Hunt foi mantido e conseguiu aproveitar as chances que teve com o novo comandante. Foram 23 gols em 38 jogos em 59/60 e 19 gols em 60/61. Mas foi na temporada 61/62 que as coisas melhoraram de vez pra Hunt e pro Liverpool. Foram impressionantes 41 gols em 41 jogos, que levaram os Reds à primeira divisão após 8 anos e deram a Hunt a artilharia da competição. 

Em 63/64, e 65/66, Hunt voltou a ser artilheiro, e de quebra, o Liverpool se sagraria campeão inglês nessas temporadas. Em 1968, pôs fim a sua passagem de mais de uma década nos Reds, com 286 gols e sete títulos, ao se transferir pro Bolton. Lá, ainda marcou 24 gols nos 3 anos que defendeu os Trotters. Em 1972, encerrou a carreira, aos 34 anos.

Hunt também jogou pela seleção da Inglaterra, com 18 gols em 34 jogos. Participou dos 6 jogos do "English Team" na copa de 66, marcando 3 gols


Avançando um pouco no tempo, chegamos a Guy Whittingham, um atacante que se destacava mais pela dedicação do que propriamente pela técnica. Com uma carreira sólida e "itinerante", Whittingham, começou no extinto Waterlooville, em 1988. Após três partidas no time sub-21, foi promovido ao time principal, onde foi o artilheiro com 22 gols em 36 jogos. Uma temporada depois, defendeu o Yeovil Town, onde teve uma passagem decente. Foram 18 gols em 23 jogos. Em 1989, ele chegou ao Portsmouth, clube onde jogou por mais tempo e viveu a melhor fase da sua carreira. Whittingham foi o artilheiro do Pompey em todas as temporadas em que jogou pelo time. Foram 25 gols em 89/90, 20 em 90/91, 13 em 91/92. Em 92/93, fez a melhor temporada da sua vida. Com 42 gols, ele foi o artilheiro da segundona, que até hoje é o recorde de gols marcados em jogos de liga em uma única temporada. Apesar do caminhão de gols, Whittingham não conseguiu levar o Portsmouth à Premier League. O clube acabou eliminado na semifinal dos playoffs.

A excelente temporada, fez Whittingham chamar a atenção do Aston Villa, que o contratou em 93. Apesar de alguns gols importantes, acabou emprestado ao Wolves. Na temporada seguinte, acabou negociado com o  Sheffield Wednesday, onde acabou sendo popular com a torcida, marcando 22 gols em 113 jogos em quatro anos. Voltou à vida "itinerante"entre 98 e 99, quando foi emprestado a Watford, Wolves novamente e um retorno ao Portsmouth, onde marcou 7 gols em 9 jogos e foi fundamental para evitar o rebaixamento do Pompey para a terceira divisão.

Whittingham retornaria em definitivo ao Portsmouth em 99, mas dessa vez para uma passagem sem o brilho de antes, com apenas 4 gols em 26. jogos. Ele ainda jogaria por empréstimo no Peterborrough e no Oxford antes de ser contratado pelo Wycombe em 2001, onde encerrou a carreira.

Como técnico, teve passagens não muito longas por Newport, Newbury, Portsmouth e Crawley. Desde 2014, trabalha como técnico educador à serviço da FA.






 

Home ---------------------- Política de Privacidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Championship Brasil 2020. Todos os direitos reservados ------- Designed by Edmar Assis